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1) Flávio Bolsonaro chamou de “detalhezinho” a marcação de munições vendidas ao Estado. Mas foi justamente esse mecanismo que ajudou a desvendar o assassinato de uma juíza e a identificar munições desviadas para facções criminosas. Entenda o que está em jogo.

ponte.orgO ‘detalhezinho’ rejeitado por Flávio que ajudou a resolver crimes - Ponte JornalismoMarcação de munições ajudou a desvendar a morte da juíza Patrícia Acioli e revelou desvio. Flávio Bolsonaro apoiou projeto para extingui-la

2) Em 2011, a juíza Patrícia Acioli foi assassinada com 21 tiros, em Niterói (RJ). Ela atuava contra policiais envolvidos em execuções, corrupção e milícias. Uma inscrição nas cápsulas encontradas na cena do crime ajudou a identificar os responsáveis.

3) O código ADA43 revelou que as munições usadas no assassinato haviam sido vendidas à PM do Rio e destinadas, em parte, ao batalhão onde trabalhavam os assassinos. Onze policiais foram condenados pelo crime, incluindo o comandante da unidade.

4) A marcação também ajudou a identificar munições desviadas de órgãos públicos na Chacina de Osasco e Barueri, que deixou 17 mortos em 2015. Um dos lotes encontrados também apareceu nos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, em 2018.

5) O mecanismo também ajuda a investigar o abastecimento do crime organizado. Estudo do Instituto Sou da Paz analisou 31.205 munições apreendidas em operações contra o Comando Vermelho. Dessas, 6.624 (21,2%) tinham marcação que permitiu identificar desvios de forças de segurança.

6) Apesar disso, um projeto enviado por Jair Bolsonaro ao Congresso em 2019 passou a prever o fim da obrigatoriedade dessa marcação. O texto foi aprovado na Câmara, mas não avançou no Senado, apesar dos esforços de Flávio Bolsonaro para aprová-lo.

7) Questionado sobre o projeto no Jornal Nacional, em 16 de outubro, Flávio Bolsonaro minimizou a importância do rastreamento. “Isso é muito maior do que um ‘detalhezinho’ desses em cima de uma cápsula”, disse o candidato à Presidência, ao defender outras medidas de combate ao crime.

8) O Sou da Paz também identificou que 40,9% das munições apreendidas em operações contra o Comando Vermelho eram de fabricação brasileira. A principal hipótese do estudo é que a expansão das compras por CACs durante o governo Bolsonaro abriu outra fonte de abastecimento para facções e milícias.

9) A marcação de munições permite investigar assassinatos, identificar desvios de arsenais públicos e rastrear o abastecimento de organizações criminosas. Na Ponte, Paulo Batistella explica como o fim dessa exigência pode beneficiar facções e milícias. Leia: ponte.org/flavio-bolso...

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