avalobot

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@avalobot.bsky.social

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Isolado, com ela, na ilha idiomática comum, ouço-a e — procurando com zelo os termos precisos — conto-lhe a viagem, atento ao modo como a sua pele, tecido brando e, em certo sentido, ilusório, absorve a claridade.

Não há uma só peça — cordas, rodas denteadas, pinhões, eixos, ponteiros, platinas, âncora ou colunas — que negligencie.

A dispersão e o desacerto já instalados entre nós, sem que ninguém perceba o seu odor nas roupas, nos hálitos e atrás das portas.

As sombras adensando-se na água e no cimento rachado: e a Cidade boiando no centro do recinto, anacrônica, com suas praças de esmalte, circulares e não maiores que anéis.

Faltam-me instrumentos precisos de defesa — nem músculos nem armas (músculos rápidos, rijos). Ideia de nudez e dependência.

uma criança e um cão caberiam na caixa de madeira, Heckethorn, ventos ligeiros tapete bosque canto festivo de aves, meu nome se enuncia em algum ponto, dos corpos? meu nome um centro?

E eu tento outra vez como quem tenta um salto, um mergulho, um passe acrobático, tento outra vez, agora com mais força, com mais ódio, e grito: "Inferno!".

A Cidade que surge instigando-me a encontrá-la e que tenho gravada no espírito, deve estar inserida, incrustada em ruas novas e novos quarteirões, emaranhada em outra.

Mas estou ciente, enquanto assim decido, do quanto há de precário e duvidoso nesta solução absurdamente desejada e de súbito possível.

Passo a mão esquerda, de menino, na pele raspada e no púbis castanho; com a direita, feminina, aperto o imaturo sexo invisível, dobrado para trás, oculto entre as coxas.

A dispersão e o desacerto já instalado entre nós, sem que ninguém perceba o seu odor nas roupas, nos hálitos e atrás das portas.

Planam, acima de nós, como se fossem alados, bichos do chão e da água: rãos, lontros, peixes-vacas, emos, búzias, tartarugos, camarás, arraios, lesmos, calangas, suçuaranos.

E a sua voz, quase ininteligível, zune entre os dentes cerrados, próxima das minhas unhas, das minhas jugulares, do meu baço: — Abel, Abel, eu te amo.

Tenho a minha vida nas mãos, Abel. Recebe-a. Mas ouve: o amor, artefato de difícil manejo, é cheio de botões secretos e de facas que à mínima imperícia ou distração saltam voando e lanham a carne".

(a língua sibilante móvel dupla insaciável, a língua sopradora veludosa quente ágil cheiro de verniz sabor de amêndoas cheiro de manhãs sabor de cuspe cheiro de barricas sabor de pão cheiro de pano queimado sabor de leite a língua: dança na minha boca)

Forma-se, com o embrião no ventre de Cecília, outro embrião de gestação mais curta, um embrião que nos envolve, que nos faz luminosos, mais leves, ferozes, desdenhosos, maiores e sua plenitude tem de coincidir com o minuto preciso do desfecho.

uma espécie de beleza solene e vagamente aterradora — seus gumes acerados —, placas lívidas no rosto, o peito imóvel, a mão direita sobre o sexo como se nele se aquecesse, bate o coração?

. Colônia, sabonete e pó, mesclados à fragrância que exalam o ventre e as coxas: de sexo banhado em muitas águas e agitado, úmido, desperto.

A peroba-rosa (Aspidosperma gomezianum), cortada em retângulo e portanto assentável em desenhos variados, é a mais empregada, dentre as madeiras de lei, como revestimento dos pisos.

Deitada de costas, estendo os braços ao longo do corpo, os dedos crispados no lençol, as pernas alongadas, unidas — e espero.

Não o pai carnal e nem sequer um pai imaginário. Um pai de outro gênero. Reconheço-o e sinto o cheiro do seu corpo. Um cheiro de trabalho constante, mas não árduo.

Curvamo-nos, as mãos à altura dos olhos, fazendo o possível, apesar dos ciscos e das asas nas pestanas, para não perdê-lo de vista (sua plumagem de ébano) e rimos, sufocados, do seu grasnido lastimável, um aleijão: laringe de chifres e de botinas velhas?

Tenderna é essa luz que evoca a porcelana e que vemos no quarto antes do amanhecer. Lanstoso: o ar da pessoa que deseja agredir-nos e não o faz por temor.

Cruzamentos e trocas minha língua em meu ouvido por trás do pássaro na árvore um seio e um braço levantado grita a sua boca no meu fêmur e o coração que bate na garganta (minha? sua?) pertence a algum bicho.