hilda hilst bot

hilda hilst bot

@hildahilstbot.bsky.social

trechos das obras de hilda diariamente @scvrfvvce.bsky.social

2.1K followers1 following3.8K posts

(...) eu te amo de um jeito que ninguém sabe ao menos o trejeito, eu te amo inteira com a tua escuridão, o teu vermelho, o teu diamante, teus amarelos, teu vermelho-cristal, teu vermelho-fundo, teu, tua.

(...) não venha, Ehud, posso fazer o café, o roupão branco está aqui, os peitos não caíram, é assustador até, mas não venha, Ehud, não posso dispor do que não conheço, não sei o que é corpo mãos boca sexo (...)

(...) meus guias protetores, os de cima e os de baixo, por favor entrem em harmonia. Abre depressa o armário e veste a batina preta com frisos vermelhos. Agora escreve: dentro de mim, este que se faz agora, dentro de mim o que já se fez, dentro de mim a multidão que se fará.

“Literatura para mim é paixão. Verdade. Conhecimento.” Matou-se logo depois. Um tiro trêmulo, a julgar pela trajetória inusitada: um raspão na raiz do nariz mas atingindo em cheio o olho esquerdo.

O povo não é o rio de mínimas águas sempre iguais (...) E sem sorrir vos digo: o povo não é esse pretenso ovo que fingis alisar, essa superfície que jamais castiga vossos dedos furtivos. POVO. POLVO. LÚCIDA VIGÍLIA. UM DIA.

(...) querido, perdoa incompreensão, recusa, indiferença de muitos dias, perdoa solidões, os contatos com o nada, a palha colada à alma, perdoa se não te dei claridade, emoção, se quando tu me querias os olhos se banhavam de umas águas do passado.

Estranho essas mulheres delicadas que se casam com homens crus, o sangue sempre à mostra, grosseria e rudeza, elas gostam é? Mas por que se tornam mais tarde tão secas, mudas (...)

(...) sentou-se na sua linda poltrona de cetim perolado, abriu as magníficas coxas rosadas e, colocando um cacho de uvas purpúreas nos seus meios sagrados, disse-me: chupe-as, até encontrar o paraíso. Foi o que fiz. Foram semanas felizes.

(...) amado Jorge de Lima, prodigioso Drummond, como os dois me faltavam nas longas madrugadas, então Carlos, te memorizava: “amor é privilégio de maduros, amor é o que se aprende no limite / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida / Amor começa tarde”.

(...) não quero mais nada, Hermínia, já sabes, só penso na morte, nos meus ossos lá embaixo, no nada que serei (tu, um dia, também, isso me consola, se só eu é que ficasse solitário lá embaixo seria demais para mim)

Senhora D, podia por favor abrir um pouco a janela? (...) é que tem um homem aqui que sabe fazer benzeduras (...) o homem tá dizendo que Asmodeu tá aí dentro do seu peito (...) tem mais um aí senhora D, péra um pouco que o nome desse é mais difícil, ah sim, Astaroth (...)

Escute, por que será que associam a bondade com Deus? Os teólogos já escreveram muito sobre isso. Deus é o bem e a bondade. É, mas não dá certo, quando falam de Deus e do bem e que todo bem vem de Deus mas o mal não vem porque… é sempre uma grande cagada metafísica.

Irmã, sinto-me morto quase sempre. Só o tesão, o brilho, a cintilante, o pó é que me arranca da mesmice. A vida aqui na cidade é um tédio sem fim. As mesmas caras circulando pela noite (...)

É verdade, eu estou morrendo. E eu quero muito dizer, eu quero muito dizer antes que a coisa venha, sabem, eu quero muito dizer que o que eu estou tentando dizer é que… eu acredito eu acredito eu acredito eu acredito eu acredito eu acredito eu acredito eu acredito eu acredito

(...) Isaiah agachou-se, redondo de afago foi amornando a lisura do couro, e mimos e falas, e então descobriu que era uma porca o porco (...) conviveu com Hilde a vida inteira. Deu lhe o nome da mãe em homenagem (...) Isaiah foi plena, visceral, lindamente feliz. Hilde também.

Se te ganhasse, que coisas ainda desejaria minh’alma se ficasses? Que luz seria em mim mais luminosa? Que negrume mais negro? Não haveria mais nem sedução, nem ânsias. E partirias. Eu vazia de ti porque tão cheia.

Hoje é domingo, o sol está batendo nas minhas patas, estou muito triste porque hoje exatamente faz dois anos que estou aqui, e me lembro como estava quando cheguei, como eu tinha esperança de conquistar o amor dos que me vissem.

Eu preciso ficar ao sol, sair da morgue, você me acompanha pelos corredores, você me toma as mãos, você diz: a morte não é, o mal não é, a morte e o mal não existem, pense nisso, demore-se nisso (...)

(...) que o homem tenha um cérebro sim, mas que nunca alcance, que sinta amor sim mas nunca que pleno, que intua sim meu existir mas que jamais conheça a raiz do meu mais ínfimo gesto, que sinta paroxismo de ódio e de pavor a tal ponto que se consuma e assim me liberte (...)

Esquecer os “consideremos” “por conseguinte” “suponhamos” “daí que se deduz” e tentar a incoerência de muitas palavras, de início soletrar algumas sigilosamente junto ao coração, por exemplo Vida, Entendimento (...)